Colégio "Glaucia Costa" - 29 anos batendo forte no coração da cidade
 
 
 
  


PERSONAGENS DE UMA TRAMA SÓRDIDA, E CRUELMENTE REAL


Duas jovens mulheres deixam uma festa de casamento, e se dirigem a uma condução de volta para casa. No entanto, para a surpresa de ambas ao chegarem à rua são atropeladas de forma proposital, por um veículo dirigido pelo próprio namorado de uma das vítimas. A namorada Anuxa Alencar fica gravemente ferida, e a enfermeira Vanessa Chaves tem morte imediata. O acusado Pablo Henrique Santos, após o ato violento volta tranquilamente para casa, como se nada tivesse acontecido.


Esta poderia ser uma das cenas do trágico roteiro de um filme, de uma novela, de uma série ou de qualquer outra obra fictícia, porém lamentavelmente, o parágrafo acima descreve uma cena da vida real, sob o olhar de várias testemunhas, e que não ocorreu no Rio, em São Paulo ou New York, aconteceu aqui mesmo em Teresina, próximo a todos nós, com direito a requintes de crueldade. O brutal ataque às duas amigas não só enluta suas famílias, mas também atinge a todas as mulheres, e nos faz acender um alerta vermelho. Que sociedade é essa, onde homens se acham no direito de jogar um veículo sobre duas pessoas? Que ódio é esse às mulheres? Que espécie de gente promove uma cena de terror como essa, e em seguida vai pra casa dormir? Quanta falta de amor, respeito e compaixão à vida e ao próximo se traduziram nesse lastimável episódio!


É assustador, mas o fato é que a causa principal de tamanha dor às duas famílias, é uma cultura machista que insiste em perpetuar-se, é a misoginia, são os discursos e as posturas, de determinadas esferas do poder público, que vociferam uma falsa moral e ideologia de gênero, estimulando a sociedade a continuar preconceituosa, machista, misógina e lgbtfóbica. Entretanto, a sociedade precisa retirar essa venda dos olhos, enxergar mais longe, pensar por si própria e se conscientizar para a necessidade de se reeducar e se libertar de posturas, atitudes e comportamentos, que denunciam visões e ações preconceituosas, historicamente e amplamente disseminadas pelos interesses ideológicos do patriarcado. Assim, com a venda nos olhos até parece ser normal que mulheres sejam agredidas, atacadas, violentadas numa sequência sem fim de violência, abusos e crimes. Contudo, caro leitor, essa barbárie não pode em hipótese alguma, ser vista com normalidade, porque desse modo se perde a capacidade de se indignar, reagir e combater. O que de fato, mulheres e homens de consciência feministas, podem empreender são atitudes e ações que contribuam positivamente para a mudança de posturas em relação a mulher na sociedade. É preciso criar uma nova configuração social, que acima de tudo respeite a mulher, e o seu direito de ser mulher.


Além disso, a mais eficiente arma contra essa enxurrada de falsas ideias, contra a mulher e outras minorias é a EDUCAÇÃO, pois é a escola que representa o espaço político social de construção da cidadania. É no espaço escolar onde se promove o debate, onde se discute, onde se aprende a respeitar e conviver com as diferenças, combatendo assim, qualquer tipo de preconceito, misoginia e ainda a lgbtfobia. Então, se a escola fala do universo, dos números, dos gêneros textuais, das guerras e crises econômicas, da reprodução sexual, do átomo e muitos outros temas, também precisa inserir em seu programa, a história da mulher ao longo dos séculos, a luta por seus direitos, a revolução sexual, a ascensão social da mulher a mercados de trabalho e sua dupla jornada, as leis que a defendem, bem como a violência da qual é vítima em casa, no trabalho ou nas ruas, conscientizando os educandos e reeducando a sociedade para o respeito a mulher e a seus direitos. Assim, a escola vai fazer a diferença e prosseguir em sua principal tarefa, que é EDUCAR! (QUER QUEIRAM, OU NÃO).


Angely Costa – Professora - Bibliotecária – Escritora – Pós-Graduada em Literatura, Estudos Culturais e outras Linguagens