Colégio "Glaucia Costa" - 26 anos batendo forte no coração da cidade
 
 
 
  


Água, a maior alegria do sertão

As festas juninas marcam a celebração da colheita, da fartura na região Nordeste. A festa corre o país inteiro, mas é o coração dos nordestinos que ela faz bater mais forte, porque é a festa de maior representatividade para o nosso povo; a mais esperada, a mais festejada do ano. Nenhuma celebração aqui é mais forte que o São João, nem mesmo o Natal, tanto que duas cidades; Caruaru (PE) e Campina Grande (PA), até disputam quem faz o maior São João do mundo.


Porém, este tem sido um ano atípico para os nordestinos, pois vivemos a agonia de uma seca que se espalhou por todos os Estados da região e se prolonga de forma assustadora. Historicamente, é a maior seca dos últimos cinquenta ou setenta anos a castigar o povo sertanejo. A falta de água e de projetos eficazes e constantes de convivência com a seca impede o desenvolvimento econômico e social das cidades e mata rebanhos inteiros. Grande parte do rebanho bovino da região virou carcaça e a agonia parece não ter fim; cidades que viviam em torno da renda de cooperativas de leite, como Sanharó (PE), por exemplo, perderam sua principal atividade econômica e sofrem os efeitos da longa estiagem, mas também com a falta de compromisso político com a região.


Assim, neste ano um pouco da nossa alegria foi roubada, pois não houve a fartura da colheita, ao contrário a escassez de alimentos levou a alta dos preços nas cidades. E nada é mais significativo para os nordestinos, do que oferecer a boa mesa e compartilhar da alegria do encontro, nas festas juninas. Por isso, a água é a maior alegria do sertão, razão de toda felicidade, motivo para muita emoção.


Luis Gonzaga, nosso Rei do Baião cantou as alegrias e as tristezas dos nordestinos, foi gigante na música brasileira, incorporou e inventou o Nordeste musical. A seca emoldurou muitas de suas canções, numa delas fez até uma prece, a Ave Maria Sertaneja: “... Ave Maria/Mãe de Deus Jesus/Nos dê força e coragem/Pra carregar a nossa cruz...” E como ele rogou, também rogamos ao Senhor. Que a água volte ao solo nordestino e continue a ser a maior alegria do sertão.


Bibliotecária – Angely Costa