Colégio "Glaucia Costa" - 26 anos batendo forte no coração da cidade
 
 
 
  


Cordel encantado

O Nordeste brasileiro, ainda em festa pela alegria das festas juninas, vive sua época mais feliz do ano. É a hora e a vez dos arraiais, dos festejos, do bumba-meu-boi, da quadrilha, do arrasta-pé e de Luís Gonzaga, nosso Rei do baião (porque não existe festa junina sem ele). É tempo de festejar os santos juninos. É tempo de fartura, das deliciosas comidas típicas que dão água na boca só de pensar; é bolo de milho, canjica, pamonha, pé de moleque, bolo de macaxeira, paçoca e por aí vai, é um cardápio variadíssimo, cheio de criatividade, um convite irrecusável a qualquer paladar.


As festas juninas, assim como a presença imortalizada de Luís Gonzaga em nossas raízes, representam a maior riqueza cultural dos nordestinos e foi o nosso rei do baião que inventou esse Nordeste musical, levando ao Brasil inteiro a cultura e as tradições nordestinas, como bem lembrou Regina Casé em seu programa especial, quando questionou o preconceito existente contra o Nordeste. Na verdade, nordestinos de todos os Estados têm orgulho de sua terra e principalmente de suas tradições culturais. Por isso, as festas juninas são tão representativas de nossa gente. Mesmo hoje, quando não se acendem mais fogueiras como antes, a tradição permanece com grande vibração, todos os anos.


Hoje essa identidade cultural é realmente inconfundível, mas na verdade ela foi construída aos poucos, a partir das divisões regionais do país no início do século passado. Vejamos então, um pouquinho de Geografia. Em 1913, alguns Estados da atual região Nordeste, como Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas formavam a região Norte Oriental. Em 1940, a primeira mudança: os Estados do Amazonas, Pará, Maranhão e Piauí passaram a formar a região Norte; Bahia, Sergipe e Espírito Santo formavam a região Leste. Somente nesta época, surgiu a região chamada Nordeste, que era composta por Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba e Alagoas. E foi somente em 1950 que os Estados do Maranhão e do Piauí passaram a integrar a região Nordeste.


Nesse momento o Estado da Bahia ainda pertencia à região Leste, juntamente com Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. O desenho do mapa atual surge em 1970, quando nasce o Sudeste com São Paulo e Rio de Janeiro, agora agrupados a Minas Gerais e Espírito Santo, e o Nordeste recebeu a Bahia e Sergipe. Desse modo, essa é a origem do fato de muitos brasileiros do Sul e Sudeste, até hoje, ainda se referir a essa parte do Brasil apenas como Norte.


Mas, apesar de qualquer preconceito, nossa cultura é reconhecida e admirada em todo o país. Recentemente o programa “Globo Repórter” abordou o assunto e destacou três cidades piauienses por suas tradições juninas: Altos, Campo Maior e Amarante. E neste momento o Nordeste se encontra na TV, numa belíssima novela das seis, “Cordel Encantado”, que vem arrebatando a audiência com uma história que mistura reis e sertanejos no mesmo cenário, e com sucesso. Assim, não adianta estrebuchar, o Nordeste está no sangue dos brasileiros, é um pedaço valoroso do Brasil. Um verdadeiro cordel encantado!


Artigo publicado no Jornal Meio Norte
07 de julho de 2011 / Teresina – PI
ANGELY COSTA CRUZ Bacharel em Biblioteconomia – UESPI / PI
Especialista em Leitura e Produção Textual – IFET/ PI
Coordenadora do Colégio Gláucia Costa
Bibliotecária do Centro de Estudos Superiores de Timon/ MA
Universidade Estadual do Maranhão – CESTI-UEMA