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Kit anti-homofobia? Para quê?

A produção de um material de divulgação da diversidade sexual, pelo Ministério da Educação e a previsão de sua distribuição em escolas de todo o país, gerou uma polêmica que não está no gibi, levando inclusive a presidenta Dilma Rousseff a suspender o material por considerá-lo inadequado.


A despeito do estardalhaço feito pelas bancadas religiosas no Congresso Nacional, é necessário colocar os pingos nos is e compreender que o tal kit anti-homofobia não poderia mesmo contribuir positivamente para o combate ao preconceito, mas ao contrário, poderia sim contribuir negativamente e provocar a maior afirmação deste e do bulling, infelizmente já tão presente no âmbito das escolas. Assim, a presidenta Dilma Rousseff tomou a decisão mais acertada sobre o caso, destacando que é preciso educar a população para que se evitem agressões e desrespeitos à diferença, mas nunca que se interfira na vida privada das pessoas. Ponto para a presidenta, porque bom senso é sempre bem-vindo e ela governa para todas as classes e segmentos sociais.


O que parece estranho mesmo, é que o Ministério da Educação se envolva nesse tipo de polêmica e exatamente num momento em que o movimento gay vem conquistando direitos e provocando diversos eventos positivos progressivamente e sem alardes, como o reconhecimento da união estável pelo Supremo Tribunal Federal (STF); a posse dos membros do Conselho Municipal dos Direitos da População LGBT em Teresina; sessões solenes contra a homofobia na Assembléia Legislativa e na Câmara Municipal de Teresina (CMT), onde também uma Frente Parlamentar pela Livre Expressão Sexual está sendo reativada e na OAB/PI a criação da Comissão da Diversidade Sexual, como divulgou este periódico recentemente.


Por tudo isso, a ação do Ministério é incoerente, pois as conquistas desse grupo social deverão acontecer naturalmente, em função de sua luta organizada na sociedade. À escola, cabe educar para o respeito e a solidariedade, para o convívio cordial e o amor ao próximo, para afirmação de valores e a cultura da paz e fraternidade. Além disso, escolas de todo o país dispõem da temática Educação ou Orientação Sexual, como uma disciplina em separado ou inserida nos demais componentes curriculares, o que oportuniza professores e educadores desenvolver as abordagens atuais e necessárias ao conhecimento do educando.


Portanto, nada de bravatas. A educação para diversidade sexual exige mais habilidades, é conquista que virá em longo prazo, mas o importante é que o debate em torno da questão está aberto, já ganhou as ruas, está constantemente no ar, em novelas de TV, na imprensa, é discutido pela sociedade em diversos eventos, chegando até ao STF, ou seja, há um clima bastante favorável no país em torno da diversidade sexual, provando que não há nenhuma necessidade de se produzir polêmicas que assustam e afastam a sociedade de uma discussão saudável sobre o assunto. Desse modo, é necessário combater a homofobia sim, mas é preciso também escolher as armas certas, pois do contrário o feitiço pode virar contra o feiticeiro.


Artigo publicado no Jornal Meio Norte
15 de junho de 2011 / Teresina – PI
ANGELY COSTA CRUZ Bacharel em Biblioteconomia – UESPI / PI
Especialista em Leitura e Produção Textual – IFET/ PI
Coordenadora do Colégio Gláucia Costa
Bibliotecária do Centro de Estudos Superiores de Timon/ MA
Universidade Estadual do Maranhão – CESTI-UEMA