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Acima de qualquer preconceito

O cenário é de faroeste, os personagens se dividem entre mocinhos e bandidos, eventualmente surgem índios e mulheres, o roteiro é de aventura do início ao fim e o desejo por justiça marca a trajetória dessa turma de cowboys, sob a liderança do herói Tex Willer. A descrição se refere a uma história em quadrinhos e seu principal personagem Tex – uma criação da dupla Gian Luigi Bonelli (1908-2001) e Aurélio Gallepini (1917-1994) – tem no público masculino a maioria de seus leitores. No entanto, pode até não ser uma unanimidade entre as mulheres, mas ao contrário do que se pensa, há sim leitoras fãs de suas aventuras.


Segundo Gonçalo Júnior (2009), o personagem é sucesso na Itália desde 1948, quando surgiu e demonstra uma incrível longevidade, permanecendo também como um fenômeno no mercado editorial brasileiro, desde a década de setenta, quando teve início sua publicação em revista própria no país. Entretanto, o mocinho surgiu no Brasil bem antes, através de Júnior, revista com quadrinhos e variedades lançada por Roberto Marinho (1904-2003) em 1950, a partir daí o herói conquistou uma legião de fãs por todo o país. Mais tarde, seria publicado pelas editoras Vecchi, RGE/Globo e atualmente Tex chega às bancas pela editora Mythos e surpreende pela vitalidade com que permanece no mercado, pois mesmo passando por três editoras não alterou sua numeração e nem sucumbiu à instabilidade da economia brasileira nas últimas décadas, até a chegada do real. Em alguns momentos chegou a vender cerca de cento e cinqüenta mil exemplares.


Destinada ao público adulto, a revista tem leitores fiéis e cativos há décadas, várias gerações colecionaram ou ainda colecionam os gibis, fazem trocas, correm ás bancas ou vão aos sebos em busca de raridades sobre o herói. Assim, Tex se mantém como um personagem querido por milhares de leitores (entre os quais se incluem leitoras também).


O fato de o gibi ser visto como uma HQ que tem o universo masculino como principal temática e por isso se destina especificamente a esse público tem a ver, na verdade com certa dose de preconceito que circunda esse personagem no meio intelectual. Não se vê neste âmbito nenhuma referência, a devida atenção ou destaque a este personagem, pois nunca foi objeto de estudo por se considerá-lo (erroneamente) secundário e se generalizar suas histórias.


Tal erro se estende também aos leitores de Tex, que se acredita serem somente homens e mais, com escolaridade incompleta, vida intelectual restrita, ou seja, personagem e leitores são tratados de forma pejorativa e preconceituosa, afinal o gosto pela aventura e a busca por justiça nunca foram uma exclusividade masculina; como já se sabe também a leitura de gibis colabora para o crescimento intelectual, e não o contrário. Desse modo, levando-se em consideração que a revista se destina ao público adulto e sobrevive ao preconceito e à instabilidade econômica do mercado brasileiro, Tex (embora italiano), é o verdadeiro herói nacional.


Artigo publicado no Jornal Meio Norte
22 de maio de 2010 / Teresina – PI
ANGELY COSTA CRUZ
Bacharel em Biblioteconomia – UESPI / PI
Especialista em Leitura e Produção Textual – IFET/ PI
Coordenadora do Colégio Gláucia Costa
Bibliotecária do Centro de Estudos Superiores de Timon /
Universidade Estadual do Maranhão – CESTI-UEMA