Colégio "Glaucia Costa" - 26 anos batendo forte no coração da cidade
 
 
 
  


Um Rio de lágrimas

Quanta angústia! Quanto desespero! Quantas vidas perdidas! A tragédia das enchentes que ora afeta o Rio de Janeiro, como há muito não se via assusta o país e atinge profundamente a todos porque tragédia não escolhe lugar e nem época para acontecer. Mas, sobretudo leva a questionar a responsabilidade do poder público neste lamentável episódio.


Onde estão as autoridades públicas quando mais se precisa delas? Onde estavam os governantes do Rio de Janeiro que não apresentaram ações concretas de intervenção urbana para a cidade, no momento certo, para prevenir esse tipo de ocorrência? O que se observa através da imprensa, é que o Rio de Janeiro se tornou uma cidade arrasada pela inoperância do poder público, incapaz de agir e realizar as intervenções necessárias num espaço urbano que cresce com velocidade. Estabelecer soluções definitivas de infra estrutura nas cidades (e não apenas paliativas), é um desafio para os gestores no Brasil, que muitas vezes desprezam estudos e projetos de especialistas e permitem que tragédias como essa voltem a se repetir.


Essa é a verdadeira questão, as conseqüências de tamanho desastre não podem ser atribuídas somente à força da natureza. É verdade que a situação climática atual e o constante desrespeito à preservação ambiental no planeta, modificaram intensamente o ritmo natural do universo, mas é verdade também que a ação planejada do homem com vistas à prevenção de tais eventos é totalmente possível. E foi isso que faltou no Rio de Janeiro. É isso que falta em diversas cidades brasileiras. Como é possível permitir a ocupação de uma área inteira, que no passado foi um lixão? É inacreditável. A tragédia do Morro do Bumba em Niterói poderia ter sido plenamente evitada se as autoridades responsáveis não tivessem se omitido diante do problema.


A sociedade carioca descobriu neste momento de tragédia que está órfã do poder público, que não lhe assistiu quando foi realmente necessário; é imperdoável a falta de ação e compromisso dos gestores públicos com os graves problemas da população. E agora o que resta aos cariocas? Enterrar seus mortos e esperar as tardias providências das autoridades.


Infelizmente, vive-se uma época em que os desastres naturais deverão ocorrer com maior força por conta da degradação ambiental; por isso será necessário também promover ações concretas de urbanização nas cidades, que devem incluir a construção de habitações em locais seguros, longe de morros ou encostas. Assim, um Rio mergulhado em lágrimas precisará dar respostas convincentes à sua população que sofre com a perda de tantas vítimas, mas principalmente com o descaso de governantes que foram eleitos para solucionar problemas e não para permitir sua acomodação.


Artigo publicado no Jornal Meio Norte
16 de abril de 2010 / Teresina – PI
ANGELY COSTA CRUZ Bacharel em Biblioteconomia – UESPI / PI
Especialista em Leitura e Produção Textual – IFET/ PI
Coordenadora do Colégio Gláucia Costa
Bibliotecária do Centro de Estudos Superiores de Timon /
Universidade Estadual do Maranhão – CESTI-UEMA