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A infância na berlinda

O olhar desafiador e a postura adulta da personagem Rafaela, interpretada pela atriz mirim Klara Castanho na novela “Viver a Vida”, vem despertando a ira de parte do público que acompanha a história do horário nobre. Na verdade, não é comum que uma criança desenvolva tais atitudes, consideradas precoces para sua idade.


É certo que a televisão, investida de seu grande poder de penetração em todas as classes sociais no Brasil, por vezes se utiliza de estereótipos para estabelecer determinado debate na sociedade; agora é a vez de Rafaela, dona de uma personalidade adulta e que foge completamente aos padrões conhecidos para uma criança, pois vive fora de seu verdadeiro universo.


A presença de uma personagem tão incomum na ficção incomoda e provoca questionamentos acerca da infância e das referências essenciais que uma criança deve ter. Nesta fase, é necessário oferecer á criança a oportunidade de ser criança, o convívio com outras crianças, as brincadeiras infantis, as histórias, a fantasia, o estímulo para a descoberta da linguagem e do raciocínio, a presença da família e de comportamentos positivos para que se colabore de forma construtiva com o seu desenvolvimento, e que assim alcance a fase adulta com uma personalidade saudável.


É na infância que, se recebe os maiores estímulos e quase sempre é pelo exemplo dos adultos que as crianças aprendem; se for um bom exemplo, ótimo, ela aprenderá e guardará para sempre, mas se for um exemplo ruim a criança aprenderá também e do mesmo modo, guardará para sempre.


Então, é preciso ter cuidado porque é nesta fase que começa a se construir as primeiras referências, daí a importância de se evitar atitudes e comportamentos inadequados diante das crianças, afinal são os adultos os responsáveis pela educação dos pequenos em casa, ou na escola.


É necessário lembrar que, são os adultos que devem penetrar no universo infantil para melhor interagir com a criança, e não o contrário, assim como são os adultos também que devem determinar as regras e os limites na educação da criança.


Portanto, quando o telespectador se revira no sofá incomodado com as atitudes de Rafaela na telinha, é porque talvez muitos valores já se perderam no tempo e a lição mínima de certo e errado vem sendo esquecida na sociedade, se tornando somente mais uma responsabilidade da escola. O comportamento negativo de Rafaela, sugere implicitamente, que a infância seja melhor preservada.


Artigo publicado no Jornal Meio Norte
29 de março de 2010 / Teresina – PI
ANGELY COSTA CRUZ Bacharel em Biblioteconomia – UESPI / PI
Especialista em Leitura e Produção Textual – IFET/ PI
Coordenadora do Colégio Gláucia Costa
Bibliotecária do Centro de Estudos Superiores de Timon /
Universidade Estadual do Maranhão – CESTI-UEMA