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Sucesso made in Brazil

E pensar que tudo começou com um cãozinho, o cachorrinho Bidu lançado em 1959 numa tira do jornal Folha de São Paulo; o primeiro personagem de uma imensa galeria, que logo aumentaria nos anos sessenta, com Cebolinha, Piteco, Cascâo, Horácio, Chico Bento, Astronauta, Penadinho, Jotalhão, Raposão, Papa-Capim, Tina e outros tão conhecidos. E a partir de 1970, surge ela com seu vestido vermelho, aquela de “personalidade” mais forte e que iria liderar o sucesso da Turma de quadrinhos mais querida do Brasil, a Mônica.


Um ano depois de seu lançamento, pela Editora Abril, com tiragem de duzentos mil exemplares, a revista Mônica logo abocanhou dois prêmios internacionais e transformou o paulista Maurício de Sousa no maior fenômeno dos quadrinhos brasileiros. Hoje, cinco décadas depois, os personagens passaram por uma natural evolução no traço e viraram mania nacional entre crianças e adultos. O sucesso dos quadrinhos de Mauricio de Sousa ultrapassa as fronteiras do gibi, alcançando comerciais, desenhos animados, cinema, games e internet, além de material licenciado, que passam de três mil itens e vão de brinquedos a laticínios; a tiragem das HQs chega aos milhões. O autor conquistou reconhecimento nacional e prestígio internacional, com o sucesso editorial no país exporta seus quadrinhos para os Estados Unidos, Europa, América Latina e Japão.


Sua grande aceitação e influência no mercado brasileiro de quadrinhos se deve principalmente à fidelidade dos leitores aos gibis e completa identificação com seu universo. Maurício de Sousa se aproxima do leitor e de sua realidade, na medida em que cria personagens que fogem a padrão definido de comportamento ou beleza e representa tipos sociais diversificados, o que mostra interação e sintonia com o leitor. Além disso, suas histórias possuem elaboração gráfica que favorece a imediata compreensão leitora, até com ausência de balões, e para atender ao público com deficiência visual, tem se dedicado à produção de gibis com fonte ampliada e em Braille.


Na Editora Abril, onde iniciou, ficou até 1987, quando transferiu-se para a Editora Globo, e após vinte anos, em 2007, levou todos títulos da Turma da Mônica para a Editora Panini Comics, a multinacional dos quadrinhos que ofereceu maior dinâmica aos gibis e a possibilidade de atingir mais facilmente mercados estrangeiros. Atualmente, o lançamento da Turma da Mônica Jovem, em estilo mangá movimentou o mercado de quadrinhos e conquistou o público adolescente, a revista já é líder de vendas.


Assim, o artista brasileiro mais bem sucedido dos quadrinhos nacionais arrebata gerações de leitores há cinqüenta anos e não pára de inovar, mostra intenso vigor. O quadrinista que se inspirou nos filhos e em amigos da infância para criar personagens, já foi considerado o “Walt Disney brasileiro”, mas Cirne (1982) corrige sabiamente a afirmação; para ele a obra de Maurício de Sousa supera a do norte-americano em criatividade, enfim é nosso orgulho nacional, sucesso made in Brazil.


Artigo publicado no Jornal Meio Norte
27 de junho de 2009 / Teresina – PI
ANGELY COSTA CRUZ Bacharel em Biblioteconomia – UESPI / PII
Especialista em Leitura e Produção Textual – IFET/ PI
Coordenadora do Colégio "Gláucia Costa