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Será o Benedito?

Para aqueles que estão cansados dos escândalos políticos que não param de pipocar (como essa gente é criativa), declaro que não tenho castelo, não recebi nenhuma passagem aérea, nem auxílio qualquer-coisa, muito menos a tal verba indenizatória e o assunto desta crônica também é outro. Na verdade, trata-se de certo Benedito. Dono de uma extensa obra na televisão brasileira, Benedito Ruy Barbosa é conhecido por levar o público a embarcar em grandes tramas e a valorizar as histórias do Brasil rural e acabou se transformando num exímio contador de “causos” na TV.


Autor da revolucionária “Pantanal” (1990), de epopéias, como “Terra Nostra” (2000) ou “Os Imigrantes” (1981), ele se especializou no novelão e sucessos retumbantes, como “Renascer” (1993) e “O Rei do Gado” (1996), viraram rotina numa longa carreira, que se confunde com a própria história da TV no Brasil. O autor, que conheceu a televisão em sua primeira fase de funcionamento, quando ainda não existia o conceito de rede, passou pela maioria das emissoras de TV nacionais e ajudou a construir a história desse veículo, levando ao ar aquilo que viveu ou ouviu contar nos mais distantes recantos do país. Seu universo, portanto, é povoado de personagens que habitam o coração do Brasil; neste momento, a bola da vez é “Paraíso”, uma história de 1982, que volta num belo remake, numa estratégia de recuperação do horário que foi inaugurado na TV Globo, pelo próprio Benedito Ruy Barbosa, em 1971 com “Meu Pedacinho de Chão”, uma parceria TV Globo/TV Cultura. A partir daí, a atração deslanchou com a temática rural e de época, consolidando definitivamente, a faixa das 18:00h.


Mas, voltando ao “Paraíso”, a atual novela das seis é uma daquelas prazerosas histórias que se ouve ao redor de uma fogueira e ao som de uma boa moda de viola; a trama gira em torno do amor proibido entre Maria Rita (Nathália Dill), a santinha e o peão Zeca (Eriberto Leão), conhecido por todos como o filho do diabo. Assim, histórias não faltam para toda a cidade comentar, pois esse é o modo de vida no interior, bem diferente daquele vivido nos centros urbanos, lá não há pressa, o tempo corre mesmo é ao sabor de uma boa conversa, por isso em alguns momentos a novela parece andar lentamente. Junte-se a isso, uma forte dose de religiosidade e os milagres da santa (ou a descrença neles) mais a história do diabinho na garrafa, para que uma verdadeira guerra (ou cruzada) se trave em nome de Deus contra o demônio. E nesse duelo, Deus está bem representado na trama, por uma ótima Cássia Kiss, que incorpora uma beata com tudo o que tem direito, personagem que na primeira versão foi de Heloísa Mafalda.


Desse modo, essas e outras histórias, bem como a crítica social e política ao país marcam a teledramaturgia de Benedito Ruy Barbosa. “O Rei do Gado”, por exemplo, foi a primeira novela a tratar sobre o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e colocou a reforma agrária na pauta de discussão nacional, com grande repercussão na mídia e na sociedade em geral. Um personagem de destaque naquela história foi o senador Roberto Caxias (Carlos Vereza), um tipo que hoje também causaria inveja em muitos políticos brasileiros, principalmente naqueles que estão se lixando para a opinião pública. Será o Benedito?


Artigo publicado no Jornal Meio Norte
22 de junho de 2009 / Teresina – PI
ANGELY COSTA CRUZ Bacharel em Biblioteconomia – UESPI / PII
Especialista em Leitura e Produção Textual – IFET/ PI
Coordenadora do Colégio "Gláucia Costa