Colégio "Glaucia Costa" - 26 anos batendo forte no coração da cidade
 
 
 
  


Essa história está no gibi

Condições sociais e falhas educacionais são apontadas constantemente em pesquisas como causas ou fatores preponderantes para a não formação de leitores no país, o que impõe aos educadores a busca de caminhos alternativos para incluir milhões de brasileiros no universo das letras. Um caminho e uma ferramenta essencial neste processo são as histórias em quadrinhos, pois não foi por acaso que várias gerações cresceram lendo “Capitão Marvel”, “Tarzan”, “Fantasma”, “Super-Homem, “Batman”, “Homem-Aranha”, “Pato Donald”, “Mickey Mouse”, “Luluzinha”, “Tio Patinhas”, “Zé Carioca”, “Mônica”, “Corto Maltese”, “Mulher Maravilha”, “Thor”, “Hulk”, “Flash Gordon”, “Dick Tracy”, “Asterix”, “Zorro”, “Mandrake”, “Zagor”, “Tex Miller” e tantos outros. Na verdade, os quadrinhos, acabaram se tornando o bê-a-bá de muita gente, embora não fossem plenamente aceitos na escola.


Hoje, felizmente a realidade mudou e as HQs ganharam força e respeitabilidade também no ambiente escolar. Desde 2007, os quadrinhos se transformaram em política de governo, quando 14 obras entraram no Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE). Desde então o número cresce e atualmente já chega a 540 títulos, como informa a revista ”Língua Portuguesa” em sua última edição, ou seja, as HQs começam a romper a barreira do preconceito social que sempre as cercaram e conquistaram de vez o espaço escolar.


Se antes, elas chegavam escondidas nas mochilas das crianças à escola, porque eram vistas de forma subversiva pelos professores, hoje elas ganham lugar de destaque até em livros didáticos, pois se tornou um dos recursos preferidos dos autores para melhor explorar a aprendizagem. Do mesmo modo, diversas editoras já produzem livros paradidáticos, inteiramente com o formato e a linguagem dos quadrinhos; um bom exemplo disso é a Coleção Literatura Brasileira em Quadrinhos (Ed. Escala Educacional), que reúne grandes clássicos da Literatura. Assim, a leitura de gibis na escola contribui para que os pequenos leitores desenvolvam o domínio dessa habilidade com prazer; para que exercitem mais a criatividade, para enriquecer a aprendizagem e, desse modo, ampliar conhecimentos. Tudo isso, possibilita ao educando (que já é consumidor de HQs), a construção de diversas leituras e formas de ler o universo ao seu redor, ou seja, as HQs interferem positivamente na formação de leitores, mais que isso, na formação de leitores críticos.


Mas, o que realmente conquista o leitor de quadrinhos e faz dessa mídia artística e cultural uma autêntica fonte de informação e conhecimento? Um fator que concorre decisivamente para isso é a linguagem própria dos quadrinhos, que se apóia no código escrito e gráfico. Ao lidar com a palavra e a imagem simultaneamente, as HQs desenvolvem uma narrativa que pode obedecer a ritmos diferentes de ação e disposição na página. Além disso, os gibis lançam mão de diversos símbolos, sonoros e visuais, que pontuam toda a narrativa e exige uma sólida compreensão leitora, ou seja, a leitura de HQs oferece um aprendizado essencial e que permanece por toda a vida. Então, evoluir desse estágio para outras formas de leitura, como jornais ou livros não será nenhum bicho de sete cabeças, e com isso as assustadoras estatísticas sobre a leitura (ou a falta dela) no país, poderiam cair consideravelmente, pois a leitura de gibis promove o crescimento intelectual do educando.


Portanto, crianças, jovens, adultos, leitores fiéis e fãs incondicionais de HQs, bem como os profissionais da escola, uni-vos! Façamos dessa mídia, a melhor arma para se combater um inimigo comum: o grande, o terrível, o misterioso, o assustador desinteresse pela leitura que cresce como erva daninha, Brasil afora. Vamos virar o jogo. E tenha certeza, essa história está no gibi.


Artigo publicado no Jornal Meio Norte
25 de maio de 2009 / Teresina – PI
ANGELY COSTA CRUZ Bacharel em Biblioteconomia – UESPI / PII
Especialista em Leitura e Produção Textual – IFET/ PI
Coordenadora do Colégio "Gláucia Costa"