Colégio "Glaucia Costa" - 26 anos batendo forte no coração da cidade
 
 
 
  


Utopia da qualidade

É bem verdade que nos últimos anos a escola pública tem recebido maior volume de investimentos e uma atenção governamental que não se via em outros tempos, principalmente no Estado do Piauí que tem apresentado saudáveis índices de recuperação. Basta ver os expressivos resultados que apontam a ascensão cada vez maior de alunos da escola pública, ao ensino superior nos últimos vestibulares, o que demonstra uma significativa vitoria para a sociedade.


Entretanto, as boas notícias ainda sugerem reflexão e outros aspectos precisam ser analisados, pois continuam a existir duas realidades, dois tipos de escolas no país; a pública e a privada, que apesar de serem regidas pela mesma legislação educacional e terem os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) como maior referência no ensino, não caminham igualmente. E o mais surpreendente, o livro didático utilizado nas escolas também é diferente.


Pode parecer estranho, mas é isso mesmo; o livro didático da escola pública é um e o da escola privada é outro, ou seja, autores e editoras produzem livros diferentes para atender aos dois públicos. Então é necessário perguntar: como estabelecer metas, perspectivas e resultados satisfatórios no ensino público, se o livro didático lá utilizado não contempla o aluno com a mesma qualidade oferecida no material do ensino privado? O livro oferecido à escola privada, em sua maioria, é hoje um material de qualidade surpreendente, tanto no que se refere ao estabelecimento de modernas propostas metodológicas de ensino, quanto a seu nível de elaboração, que parte do princípio de novas perspectivas educacionais e da ampliação do conhecimento.


Assim, não se compreende porque o livro didático oferecido a escola pública é diferente, normalmente conhecido como “mais fraco”, no meio educacional. Desse modo, é preciso rever a questão, afinal o país propõe um modelo padronizado de educação através dos PCNs (ainda que se preservem as diferenças regionais), o que sugere também que o principal instrumento de ensino do professor, o livro didático tenha o mesmo nível de qualidade para qualquer escola, pública ou privada.


Dessa forma não há justificativa razoável para que o livro do ensino público seja “mais fácil” ou “mais fraco”, tal fato apenas contribui para que o aluno tenha uma visão restrita da realidade, por isso a necessidade da mudança de postura, o aluno da escola pública precisa e deve receber maior prestígio por parte dos educadores, esse aluno deseja ser privilegiado e explorado na medida exata de sua capacidade de aprendizagem. Os bons resultados alcançados pela Escola Municipal Casa Meio Norte, uma experiência de parceria pública privada na cidade, por exemplo, indicam que é possível modificar o ensino e as estruturas corroídas pelo vício de práticas que nada contribuem para o sucesso efetivo do aluno.


A escola precisa dos educadores, de uma equipe forte e dedicada para pensar a educação e lhe oferecer novas possibilidades ou caminhos alternativos. Assim, os professores devem estar predispostos a mudar, a receber o novo, a aceitar desafios e preparar-se ainda melhor para atuar com um livro didático que corresponda realmente a um nível satisfatório de educação, caso contrário será apenas a utopia da qualidade.


Artigo publicado no Jornal Meio Norte
24 de março de 2009 / Teresina – PI
ANGELY COSTA CRUZ Bacharel em Biblioteconomia – UESPI / PII
Especialista em Leitura e Produção Textual – CEFET/ PI
Coordenadora do Colégio "Gláucia Costa