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A realidade da ficção

O núcleo composto pelo adolescente inconseqüente, pais que estimulam o comportamento agressivo do filho e uma professora que é constantemente desrespeitada em sala de aula na novela das oito vem causando repercussão na sociedade e provocando um debate inadiável: o limite (ou a falta dele) na educação dos jovens. Chama atenção como o casal de pais da ficção apóia a agressividade do filho, estimulando a violência gratuita na rua ou na escola, afinal ele é apenas um “garoto”. Glória Perez, a noveleira conhecida por fazer merchandising social em suas histórias, traz para o horário nobre a discussão de um problema que atinge toda a sociedade em maiores ou menores proporções: o comportamento agressor dos adolescentes que em nossa época perderam completamente a noção do respeito e da liberdade.


A polêmica da ficção alerta que, a sociedade precisa estar atenta a educação de crianças e jovens, pois é na família que ela se inicia. Se os filhos são ensinados a respeitar e ser responsáveis por suas atitudes, assim serão, mas se recebem exemplos de tirania e apoio incondicional a atitudes desmedidas, então irão crescer cientes de que podem tudo; sem uma noção correta do que seja certo ou errado. Afinal, é pelo exemplo que se educa. Portanto, apoiar o comportamento agressor de adolescentes, é também colaborar com a violência. A situação mostrada na novela está mais perto do que se imagina. Infelizmente, hoje é comum saber ou até testemunhar atos de violência que envolvem jovens que agridem verbal ou fisicamente qualquer pessoa, inclusive idosos de forma gratuita.


O caso do índio que foi incendiado enquanto dormia num banco de rua em Brasília, em 1997, é um exemplo que chocou o país na época. Na ocasião (para perplexidade de todos), seus agressores declararam que foi uma “brincadeira” e que pensavam tratar-se de um “mendigo”. Do mesmo modo ocorreu mais recentemente no Rio de Janeiro, quando uma empregada doméstica foi violentamente espancada por uma dessas turmas, enquanto esperava um ônibus, pois segundo estes pensavam tratar-se de uma “prostituta”. Por isso, somente a educação pode oferecer limite e determinar a exata medida do respeito, liberdade e solidariedade.


Na outra ponta desse drama, encontra-se a professora que a esta altura não é mais vista como a mestra de antes, há muito perdeu seu antigo status e frequentemente é agredida por seus próprios alunos, algo impensável em décadas anteriores, quando o professor ocupava melhor seu espaço na sociedade. O que aconteceu com a escola? O que aconteceu com o professor? Desse modo, pais e educadores precisam refletir.


A discussão colocada no ar é pontual e mostra o quanto é necessário modificar atitudes e assumir outra postura na educação de crianças e jovens. A sociedade precisa contribuir positivamente para a formação de personalidades saudáveis e plenamente responsáveis por seus atos, pois a violência não pode nascer dentro de casa. É preciso interferir e reeducar os “garotos” com lições de cidadania, solidariedade e respeito ao próximo, algo que no núcleo indiano da novela é parte do universo cultural daquele povo, o que surpreende e mostra o quanto é grande o contraste com o estilo de vida do lado ocidental do planeta.


Artigo publicado no Jornal Meio Norte
31 de março de 2009 / Teresina – PI
ANGELY COSTA CRUZ Bacharel em Biblioteconomia – UESPI / PII
Especialista em Leitura e Produção Textual – CEFET/ PI
Coordenadora do Colégio "Gláucia Costa