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Lula e seu calcanhar de Aquiles

Os altíssimos índices de aprovação alcançados pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva demonstram o êxito de uma trajetória política irretocável, algo extremamente difícil de conquistar nos dias de hoje e que o credenciam como um forte chefe de Estado. Nem mesmo a crise política produzida pelos partidos em 2005, e que atingiu o PT, conseguiu abalar a estrela do presidente, que continuou brilhando, reeleito com larga maioria em 2006. No entanto, Lula parece ter um calcanhar de Aquiles no Brasil, chamado imprensa. Cada vez que se refere a esta em algum pronunciamento, é quase sempre de forma exaltada e um tanto quanto destemperada; usa constantemente da retórica fácil e de sua enorme capacidade de ser espontâneo para expressar sua indignação contra a imprensa.


Ora, o que se sabe é que este governo tem apresentado um conjunto de ações positivas e que de modo geral representam mudanças significativas na sociedade, principalmente no campo social, assim não se pode valorizar tanto o noticiário que porventura se oponha ao governo, ou a sua administração. Na verdade é necessário externar aos brasileiros que mudanças efetivas realmente ocorrem e que aos poucos vem modificando a realidade brasileira, nos mais distantes recantos do país. Não é saudável para nenhum dirigente, e nem para a democracia brasileira, estremecer suas relações com a imprensa, pois a liberdade de expressão que se tem hoje foi fruto de duras conquistas. Não importa se um representante do governo não gosta do que lê nos jornais durante o café da manhã, o que importa realmente é que a imprensa é livre e assim deve continuar.


Pode não parecer, caro leitor, mas é público e notório a existência de um alinhamento de parte da grande imprensa com as ideias da direita, assim como também há parte da imprensa no Brasil que se alinha às ideias da esquerda e há ainda uma rede de comunicação, esta alternativa ou independente que circula país afora. Esse é o jogo democrático e é assim que funciona em diversos países do mundo, onde se cultua a democracia como regime. Então, se isto é uma guerra, o melhor a fazer é desarmar o inimigo com inteligência e não oferecer mais munição a ele.


Lula tem uma posição tão confortável como presidente hoje, que se contrapor a imprensa de forma tão ácida, não lhe trará nenhum benefício, senão dor de cabeça (ou de estômago, sei lá).


Além disso, é do conhecimento de boa parte do eleitorado que votou em Lula em 89, 94 e 98, o quanto setores da grande imprensa tentaram influenciar a opinião pública, adiando sua chegada ao poder. Agora presidente, Lula precisa mostrar-se superior a este ou aquele expediente e não perder o bom humor, em favor da saúde e bem estar da democracia.


Artigo publicado no Jornal Meio Norte
17 de fevereiro de 2009 / Teresina – PI
ANGELY COSTA CRUZ Bacharel em Biblioteconomia – UESPI / PII
Especialista em Leitura e Produção Textual – CEFET/ PI
Coordenadora do Colégio "Gláucia Costa