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O que é que a baiana tem?

Diversos eventos, exposições, homenagens em vários pontos do país e até no badaladíssimo São Paulo Fashion Week (SPFW), marcam o centenário de nascimento daquela que foi o símbolo brasileiro mais conhecido no mundo:


Carmem Miranda, assim chamada pelo pai por este ser um apreciador de óperas. O desejo de cantar surgiu cedo e logo foi descoberta por Josué de Barros, compositor que se encantou com seu talento e passou a promovê-la.


Quando ela se apresentou na extinta rádio Mayrink Veiga, o locutor César Ladeira a chamou de “A pequena notável” e assim passou a ser conhecida. Logo, Carmem Miranda se tornou a maior cantora brasileira de todos os tempos (apesar de ter nascido portuguesa).


Mas, a pequena notável não era apenas a sua voz, na verdade ela foi um verdadeiro fenômeno do show business nacional e norte-americano. Tudo começava a partir de sua performance no palco. Para disfarçar a pequena estatura (1,52m) a artista se apresentava com salto plataforma, e enormes turbantes coloridos repletos das mais variadas frutas tropicais, abacaxis, bananas, coqueiros, além de lantejoulas e muitos, muitos balangandâs e assim vendeu a exótica terra brasileira ao mundo. Carmem Miranda é considerada a precursora do tropicalismo, movimento cultural que agitaria o país décadas mais tarde. Foi a primeira cantora brasileira a assinar um contrato de rádio, passando a apresentar-se em teatros e casa noturnas, como o famoso Cassino da Urca, sempre acompanhada do grupo musical Bando da Lua.


Tornou-se estrela nacional e logo foi brilhar nas terras de Tio San. Lá além de cantar, fez programas de rádio, séries de TV e uma bela carreira cinematográfica com 14 filmes em Hollywood. A estréia foi na Broadway em 1939.


Ela também pôs as mãos e os pés na calçada da fama em Los Angeles. E quando retornou ao Brasil lhe disseram que voltou americanizada. Para responder aos críticos produziu mais esse show com grande repercussão. Carmem Miranda, portanto, alcançou a fortuna (foi a artista mais bem paga de sua época) e a glória, vendeu alegria, glamour e originalidade. Seu estilo espetacular e contagiante arrebatou multidões.


Essa artista de presença constante no cenário das primeiras décadas do século XX também é apontada como um dos instrumentos de influência cultural, muito utilizados pelos Estados Unidos na época, como parte do esforço de conquistar o apoio brasileiro. Era a chamada política da boa vizinhança. Mas a despeito disso, hoje é um mito nacional, sua inspiração foram as raízes brasileiras e como artista foi surpreendente, embora uma imensa roda viva a tenha levado muito cedo. Por isso, vale a pena revirar a memória do país para descobrir, finalmente, o que é que a baiana tem.


Artigo publicado no Jornal Meio Norte
12 de fevereiro de 2009 / Teresina – PI
ANGELY COSTA CRUZ Bacharel em Biblioteconomia – UESPI / PII
Especialista em Leitura e Produção Textual – CEFET/ PI
Coordenadora do Colégio "Gláucia Costa