Colégio "Glaucia Costa" - 26 anos batendo forte no coração da cidade
 
 
 
  


Do re mi fá sol lá si do...

A recente aprovação de uma lei que torna obrigatório a presença da música no ensino básico nacional trouxe inquietação a escolas e educadores, principalmente porque a mesma não nasceu do debate na sociedade, mas sim do lobby de artistas e músicos junto a parlamentares. Parece estranho que a legislação brasileira queira impor de cima para baixo algo que diz respeito à realidade de escolas e comunidades nas diversas regiões do país. Como esperar que escolas introduzam a música em seus currículos? Há profissionais didaticamente preparados para assumir esse trabalho? Como as escolas poderão se adaptar a mais esta exigência?


Ao que parece em nada disso se pensou ao aprovar a lei. Nem mesmo no fato de que já existe no currículo escolar a disciplina de Arte, que foi considerada obrigatória na educação básica através da Lei n. 9.394/96. Em sua nova versão (que se distancia da perspectiva adotada na década de setenta), a disciplina de Arte já contempla a abordagem dos principais eixos culturais: o teatro, a dança, as artes visuais e a música; como recomenda os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), atualmente a maior referência no ensino brasileiro.


Então vejamos, já há dificuldade para as escolas de modo geral, colocar em prática a Lei de 1996, pois a mesma sugere um profissional de arte didaticamente formado para ministrar essas aulas, o que nem sempre é possível, visto que existe carência de professores nessa área, talvez em decorrência de problemas nos próprios cursos de formação.


Contudo, a disciplina é extremamente necessária ao crescimento humano e sem dúvida deve estar presente no currículo; cabe a escola insistir para superar mais este obstáculo e promover seu pleno funcionamento.


Portanto, uma vez que a disciplina de Arte já abrange a área musical, não me parece razoável como educadora que a música seja objeto específico de uma disciplina. Além de já fazer parte do ensino de Arte, a música está presente na escola de forma interdisciplinar, espontânea e nos diversos momentos de um período letivo, quando a atividade musical é sempre solicitada


Ao impor a obrigatoriedade, se cria também mais um problema para a escola, pois sequer o mercado dispõe de profissionais devidamente habilitados. Desse modo, faltou um mínimo de discussão sobre o tema, os educadores não foram chamados a debater uma questão que lhes afeta diretamente. Na prática, a escola não terá condições de gerenciar mais essa tarefa, o que tumultua o processo educacional. O conhecimento da arte na escola deve privilegiar não somente uma, mas todas as áreas. Formação específica, de profissionais de música ou qualquer outra área, exige espaços fora da escola.


Artigo publicado no Jornal Meio Norte
25 de novembro de 2008 / Teresina – PI
ANGELY COSTA CRUZ
Bacharel em Biblioteconomia – UESPI / PII
Especialista em Leitura e Produção Textual – CEFET/ PI
Coordenadora do Colégio "Gláucia Costa"