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As pequenas órfãs

Há pouco mais de um mês, a imprensa brasileira vive numa verdadeira encruzilhada, pois a rotina silenciosa da divulgação de informações foi abruptamente rompida com a tragédia que vitimou Isabella Nardoni em São Paulo. A imediata comoção da sociedade vem despertando uma intensa discussão a respeito dos meios de comunicação e da grande polarização da mídia nacional em torno do caso.


Sabe-se que existe parte da imprensa brasileira, que é sensacionalista de fato, que realmente explora o assunto à exaustão oferecendo-lhe proporções ampliadas, sob o manto de uma suposta ética jornalística, para simplesmente garantir mais pontos no ibope ou conquistar a primeira página do jornal. Porém isso não é regra, de modo geral a imprensa cumpre seu papel social com responsabilidade. O assassinato de Isabella foi um crime hediondo, e como tal precisa ser tratado, muito embora outros casos de violência contra crianças na sociedade, no seio familiar, não sejam divulgados com a mesma veemência.


A rotina de acontecimentos violentos e a banalidade da vida humana na sociedade atual adormecem a todos, a violência diária constantemente estampada na imprensa causa medo, incompreensão, mas principalmente a estranha sensação de inércia e angústia diante dos fatos; são tantos os crimes bárbaros que nem é mais possível refletir sobre tamanha violência, a humanidade parece ter perdido a rota de sua caminhada. Então, por mais doloroso que seja a sonora divulgação do caso Isabella, se faz necessária e importante do ponto de vista de se resgatar a própria capacidade de indignação social frente à violência. E parece estranho que se tente fugir disso, afinal esta é a sociedade da comunicação global. Assim, esse debate não deve se esgotar, e sim permanecer aberto para permitir, que a manifestação democrática de todos, possa contribuir para maior reflexão social e o combate a todo e qualquer tipo de violência.


Como o caso Isabella no Brasil, o caso da pequena Madeleine McCann, que desapareceu misteriosamente de um quarto de hotel em Portugal, também consumiu toda a atenção da imprensa internacional à época, e comoveu todo o mundo. Madeleine continua desaparecida um ano depois, e os pais são os principais suspeitos. Houve exageros da imprensa também neste caso? Talvez sim, mas talvez este seja um mal necessário, pois às vezes é preciso acordar com um balde de água fria sobre a cabeça para perceber o que ocorre diante dos próprios olhos. Como a brasileira Isabella (volto a dizer), Madeleine também foi vítima de uma imensa falta de amor, ficaram órfãs de carinho, afeto e proteção; os dois casos colocam a família no centro de uma discussão, da qual a sociedade não poderá fugir. Às pequenas Isabella e Madeleine.


Artigo publicado no Jornal Meio Norte
12 de maio de 2008 / Teresina – PI
ANGELY COSTA CRUZ
Bacharel em Biblioteconomia – UESPI / PII
Especialista em Leitura e Produção Textual – CEFET/ PI