Colégio "Glaucia Costa" - 26 anos batendo forte no coração da cidade
 
 
 
  


Querida Isabella

Intrigante. Esta é a impressão mais forte a respeito do crime (ainda sob investigação), que abalou o país; o assassinato da menina Isabella em São Paulo que revoltou a sociedade. O caso sugere uma trama sórdida contra uma criança de apenas cinco anos de idade. Como pode ser morta, e de forma tão brutal? É a pergunta que todos se fazem, e espera-se a polícia possa responder.


Os personagens principais dessa história, o pai, a mãe e a madrasta, despertam estranhamento em todos que acompanham o caso pela imprensa, e até lembram o triângulo amoroso da ficção televisiva formado na atual novela das 20h, “Duas Caras”. Mas na verdade, parecem ter saído de um desconhecido conto de fadas, onde uma mãe não expressa sua revolta e nem clama por justiça, como se viu na entrevista por telefone a jornalista Patrícia Poeta, no Fantástico. Qual a mãe que não se emocionaria diante de tão chocante tragédia contra um filho? E que pai e madrasta são esses, que se dizem amorosos, mas permitiram tal violência?


As respostas virão depois, a certeza que se tem é que uma criança indefesa foi monstruosamente assassinada, e alguém precisa responder por isso, visto que o crime revela no mínimo a falta de carinho e afeto a essa criança.


Ninguém a defendeu. Ninguém a protegeu, ou foi em seu socorro. O que houve com essa família? Isabella tinha toda uma vida pela frente, e se negou a ela o princípio de número oito da Declaração dos Direitos da Criança que diz: “Em qualquer circunstância, a criança deve ser a primeira a receber proteção e ajuda”. A sociedade não pode perder de vista, os direitos da infância, e nem fugir a responsabilidade de cumpri-los.


O que houve então neste triste episódio? É preciso saber, pois na natureza até as feras protegem seus filhotes do ataque de inimigos. Isabella era apenas uma criança, e não há dúvida, foi vítima de uma imensa falta de amor e afeto (embora os personagens envolvidos o neguem), de outro modo uma família não abandonaria uma criança a sua própria sorte. Cabe a sociedade chorar por Isabella, e exigir punição correta aos culpados, pois é necessário proteger toda e qualquer criança e permitir que ela cresça se desenvolva, e se torne um adulto feliz.


Aguarda-se assim que a justiça restabeleça a verdade sobre o caso, e que a sociedade compreenda que a melhor arma para se combater a violência contra uma criança, é o amor. Quando existe amor, há desejo de afeto, cuidado e proteção. À querida Isabella, com carinho.


Artigo publicado no Jornal Meio Norte
14 de abril de 2008 / Teresina – PI
ANGELY COSTA CRUZ
Bacharel em Biblioteconomia – UESPI / PII
Especialista em Leitura e Produção Textual – CEFET/ PI