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"Falsa Ética"

Foi-se o tempo em que o público de telenovelas torcia incondicionalmente pelos mocinhos, e da mesma forma abominava os bandidos, era um tempo em que não havia lugar para ambigüidades, reflexo de um tipo de sociedade. Hoje, no entanto, parece que há algo de podre no reino da ficção. (Ou seria na própria realidade?) A verdade, é que bandido se tornou personagem fácil de representar, enquanto representar o mocinho está cada vez mais difícil. É este o dilema que se encerrou no último dia vinte e oito de setembro, com o término da novela Paraíso Tropical. A bem sucedida história, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares (que teve grande repercussão de crítica, mas não alcançou recordes de audiência), tornou popular e admirada a dupla de vilões Olavo e Bebel, interpretados por Wagner Moura e Camila Pitanga, respectivamente, enquanto o núcleo dos mocinhos não despertou o interesse que se esperava.


A despeito dos problemas de bastidores, que envolvem a construção de uma obra engenhosa como a telenovela, o que se pretende discutir na verdade, é a distorção dos valores éticos que domina a sociedade, e se refletiu na novela. É estranho, que vilões capazes de cometer todo e qualquer tipo de crime, conquistem a simpatia do público (ainda que este já perceba claramente a distância entre atores e personagens). Há uma falsa ética pairando sobre a sociedade, e determinando atitudes e comportamentos politicamente incorretos aos cidadãos.


Ser ético ou honesto hoje, parece causar repulsa, afinal esta é uma sociedade que cultua a impunidade a qualquer preço. A sociedade brasileira, se tornou refém de sucessivos escândalos políticos, que quase sempre envolvem desvios de grandes somas em dinheiro. Os maus exemplos portanto, vem de cima, e são praticados justamente por aqueles que nos representam. Nunca se viu tamanha escassez de um produto, caro leitor. Ética virou artigo de luxo, ou é assunto do tempo da vovó (com todo o respeito às avós), ninguém mais quer saber se o sujeito age com honestidade, ética e dignidade, é mais fácil tomar o caminho da mentira, da trapaça ou do ganho fácil. Esta é a lição de ética que se tem diariamente no país, e que transformou o casal do mal na ficção, em personagens queridos pelo público.


Como faz falta a ética! E como os brasileiros perderam suas referências! As crises por falta de ética que assolam o país (parodiando Stanislaw Ponte Preta), distanciam os cidadãos da verdade, e se passa a acreditar numa falsa ética, onde os bandidos merecem simpatia e os mocinhos, apenas o descrédito, pois há certeza da impunidade no país, fato que desafia e constrange a sociedade. Porém caro leitor é preciso não perder o rumo, e nem a capacidade de se indignar, todos são responsáveis pela construção de uma sociedade ética, e não apenas no campo teórico, mas, sobretudo no terreno prático das ações cotidianas. É preciso não esquecer as primeiras lições, que se aprende quando ainda criança, e perceber que a ética é patrimônio dos cidadãos. Cultivar valores éticos não é moda, é uma questão de educação. Assim, a verdadeira ética possui bases sólidas, e pode tornar a sociedade melhor, e mais firme em seus objetivos. Que a falsa ética de Olavo e Bebel se limite ao campo da ficção.


Artigo publicado no Jornal O Dia
09 de outubro de 2007 / Teresina - PI
ANGELY COSTA CRUZ
Bacharel em Biblioteconomia – UESPI / PII
Especialista em Leitura e Produção Textual – CEFET/ P
Coordenadora do Colégio "Gláucia Costa"
E-mail: angely@colegioglauciacosta.om.br