Colégio "Glaucia Costa" - 26 anos batendo forte no coração da cidade
 
 
 
  


Alma Gêmea, o vigor inesgotável do gênero

O que pode explicar o constante sucesso da eterna luta do bem contra o mal? O que será que move o público a acompanhar uma história diariamente? Afinal qual a razão do vigor surpreendente da telenovela no Brasil? Qual sua influência na vida dos brasileiros? E finalmente, como a escola pode apropriar-se do gênero para enriquecer o conhecimento?


Os altos índices de audiência conferidos a novela global das 18:00h, que chegou ao fim na última semana, confirmam mais uma vez, o quanto o gênero continua a ter uma força de inventividade, que se supera a cada década. A história é uma só: a eterna luta do bem contra o mal que se renova em momentos diferentes, um embate que pode durar por meses a fio, um ano, não importa, o que interessa mesmo, é que o duelo seja emocionante do inicio ao fim.


Na verdade, a telenovela é uma extensão do hábito de contar e ouvir histórias que se iniciou há séculos atrás, passando-se mais tarde pelos romances, publicados em capítulos nos jornais diários, até se chegar às radio novelas, precursoras da telenovela atual. A televisão portanto trouxe para o centro da sala a continuidade deste fenômeno de outrora, que se renova a cada dia, daí o interesse do público em acompanhar este tipo de espetáculo, totalmente produzido no Brasil e exportado para boa parte do mundo.


Num país onde a televisão ganhou tamanha importância, não é mais politicamente correto afirmar que, ela simplesmente provoca efeitos devastadores, muito pelo contrário, estudiosos no assunto vem comprovando a necessidade de se explorar tudo que há de bom e ruim no veículo, e se utilizar disso de forma inteligente na escola, pois é preciso lembrar que a televisão nada mais é que um veículo para informação e entretenimento.


A produção em ritmo industrial de teledramaturgia no Brasil há anos, é resultado, primeiro da cumplicidade do público com a TV, e segundo, da qualidade indiscutível apresentada a cada nova produção, que não lembram nem de longe as produções mexicanas, por exemplo; a falta de acesso a cultura no Brasil fez da televisão (para o bem ou para o mal), seu grande veículo divulgador, daí o vigor desse espetáculo, que ganhou status de produção cinematográfica no país.

E já não mais adianta contestar, a telenovela tem presença marcante na vida dos brasileiros, é vista por todo e qualquer tipo de público, agrada a gregos e troianos (e a turcos também), é enfim, o assunto de conversas pelo país afora. Contudo, seus críticos mais ferozes já a colocaram no banco dos réus, e a acusaram de espetáculo alienante, massificador; o público no entanto, demonstra maior ponderação, na medida em que, sabe aplaudir ou rejeitar determinadas histórias, ou quando percebe cada vez melhor a distância existente entre ficção e realidade.


Para se fazer sempre presente, a telenovela não perde o bonde da História, acompanha as transformações políticas, sociais e culturais no país, mexe com o comportamento, costumes, lança moda, discute questões polêmicas, recria a língua (através de determinadas personagens), ou a preserva (com textos de novelas de época), daí a necessidade de se valorizar isto na escola também; já é hora dos autores de Literatura, incluir em suas obras a análise deste gênero sem restrições, reconhecendo-se dessa forma sua importância no cenário da cultura brasileira. Portanto caro leitor, é preciso dar a César, o que é de César. O ibope de uma novela pode até não ser tão belíssimo assim, quanto foi o de Alma Gêmea, ou de tantas outras, mas é inegável: a fórmula é perfeita para a TV, e conquista rapidamente a empatia do público, mais uma razão para a escola não se limitar, deve sim, procurar explorar este tema, gerando mais possibilidades de aprendizagem. Assim, também estará em sintonia com a sociedade, pois muitas vezes seus problemas são discutidos na telenovela, e ganham as ruas. A escola também precisa se deixar arrebatar por essa discussão.


Angely Costa Cruz
Acadêmica de Biblioteconomia
(Coordenadora do Colégio “Gláucia Costa”)
Texto publicado: 13/03/2006 – Jornal Meio Norte