Colégio "Glaucia Costa" - 29 anos batendo forte no coração da cidade
 
 
 
  


O SENTIMENTO DE PERTENCIMENTO MUDA A HISTÓRIA DE UMA CIDADE



O sentimento de “pertencer” a uma família, a uma comunidade, a uma cidade, a um grupo de trabalho ou ainda a um Estado, ou a uma nação é uma necessidade humana. O “pertencer”, fazer parte, faz nascer indivíduos produtivos, criativos, seguros, empáticos e emocionalmente maduros. E como podemos estimular e, ou preservar este sentimento nas pessoas quando tratamos do lugar que moramos, da cidade que chamamos de lar?


Primeiramente é necessário conhecer a história do lugar onde se vive, compreendendo o papel humano dos envolvidos nos acontecimentos. Na sequência é preciso reconhecer e respeitar as contribuições positivas ou negativas deixadas, passado não se modifica, serve de referência para o futuro. O terceiro ponto é utilizar serviços e produtos do local que se mora. O último requisito, talvez, o mais importante de todos, é se sentir filho de uma cultura, uma identidade coletiva que fortalece a imagem do lugar que se vive



Neste contexto nos últimos meses tive contato com Mercilene Barbosa Torres, professora e historiadora caxiense, que conta e encanta a história da Princesinha do Sertão. Telhados, portas, janelas, ruas, rios, praças, estátuas e pessoas anônimas ou não tem história e vida na oratória da professora. Caxienses imortais, celebrados em verso e prosa como Coelho Neto (1864-1934), e Gonçalves Dias (1823-1864), estão vivos nas ruas, praças, nos arquivos da Academia Caxiense de Letras e principalmente na memória da sociedade. A cidade também é conhecida como a Terra das Águas Cristalinas, pois na região existe um riquíssimo lençol freático que, de acordo com as lendas narradas pela professora Mercilene, são águas milagrosas e que guardam grandes tesouros.


Caxias foi palco de uma das maiores batalhas do período do Brasil Colonial, a Balaiada - considerada a maior revolução maranhense, ocorrida no período de 1838 a 1941. O Memorial da Balaiada, que fica localizado no Morro do Alecrim apresenta aos turistas os principais líderes, deste movimento, Manuel Francisco dos Anjos Ferreira - O Balaio - (1784-1840), Raimundo Gomes Vieira - O Cara Preta – (?-?), Lívio Lopes Castelo Branco (1813-1867) e Cosme Bento das Chagas - O Líder Negro – (1802-1842) Mas, este espaço também, como a professora Mercilene Torres, Diretora do Memorial da Balaiada, fervorosamente gosta de dizer, é o lugar dos artistas caxienses, onde escultores, pintores, artesões, fotógrafos, escritores tem espaço para divulgar o seu trabalho.




Precisaríamos de muitas linhas para apresentar os inúmeros caxienses que fizeram e fazem a história da Princesinha do Sertão ser tão importante para a história do Maranhão. Escolho dois nomes, um do passado e outro do presente para expressar meu respeito e admiração por esta cidade. David Sousa, fotógrafo caxiense que busca através da lente do seu equipamento de trabalho, manter vivo na memória das pessoas o rico folclore e tradições maranhenses. E Gonçalves Dias, que com seu poema Canção do Exilio, ensina que a terra que chamamos de lar, tem palmeiras e cantos de pássaros.


Como disse uma das companheiras de viagem a cidade de Caxias, professora Paula Almeida, “Os caxienses irão dominar o mundo!”. Acrescentaria a sua fala que, o mundo está de braços abertos, para oferecer visibilidade aos filhos de Caxias ou de qualquer outra cidade que tenha uma identidade cultural forte como fio condutor da sua história. Quando fazemos parte – pertencemos -, respeitamos e valorizamos.


Angelina Costa Cruz


Mestre em Computação Aplicada


Coordenadora do Colégio Gláucia Costa


Timon/ MA – 28/05/2019