Colégio "Glaucia Costa" - 26 anos batendo forte no coração da cidade
 
 
 
  


Deus e o diabo na terra do sol


Lili Cavalcanti *


Com o mundo político em ruínas no país, Brasília em chamas e a sociedade brasileira, literalmente à beira de um ataque de nervos, faz-se necessário intervir com algumas ponderações para se refletir sobre o equilíbrio saudável das relações políticas, sociais e a civilidade democrática no debate político nacional.


O clima de vale tudo, entre os políticos de ambos os lados, provocado pela instalação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, extrapola os níveis da razoabilidade política, o que demonstra o quão é necessário à sociedade compreender que numa democracia é natural e indispensável a existência de pensamentos divergentes e que todos podem e devem manifestá-lo, sem nenhuma patrulha, independente de sua posição política, afinal vivemos numa democracia. Não é verdade?


Desse modo também, é preciso refletir que não vale a pena e nem um tostão furado embarcar no radicalismo, assumir posturas agressivas e se indispor com o primeiro que não concorde com sua opinião, ao vivo ou pelas redes sociais. Por isso, atenção caro leitor! Os políticos não estão com essa bola toda (talvez nunca estiveram) e nem merecem todo esse crédito. Na verdade, eles estão é em débito (e com juros e correção monetária), com os eleitores, com a população brasileira, com toda a sociedade. Assim, o mais sensato neste momento de turbulência generalizada entre os poderes, é torcer para que as instituições estabeleçam desse momento em diante, normas, leis mais duras e regras definitivas para o combate efetivo da corrupção, em todos os níveis no país.


No mais caro leitor, é tomar muito suco de maracujá, desarmar-se de atitudes agressivas e não ter ilusões, e sim a clara consciência de que no tabuleiro do jogo democrático todos os atores sociais estão em campo e parte da imprensa também, pode aliar-se às ideias da direita, assim como outra parte pode aliar-se às ideias da esquerda e ainda pode se ter correntes alternativas de informação independentes atuando e circulando pelo país afora. Hoje também a internet e os produtores de conteúdo virtual, são os mais novos atores em cena, no campo da comunicação. Cabe assim, à sociedade construir, a partir disso sua própria opinião. Tal movimento faz parte do jogo, como em outras sociedades. O que não pode entrar nesse jogo, é a censura, pois toda e qualquer sociedade precisa e deve ter liberdade de expressão, bem como acesso à informação. Esta é a regra do jogo.


Ademais, com resoluções jurídicas e barganhas políticas ainda em curso, é preciso ter clareza e desarmar os espíritos, caro leitor. Na verdade, o país vai continuar com ou sem impeachment. Os brasileiros seguirão indo ao futebol, lendo os jornais, se reunindo para comer uma pizza, ou ver a novela, pagando seus impostos, buscando soluções alternativas para enfrentar a crise, e apesar disso, realizando planos, novos investimentos e novas dívidas também. Enfim, paixões políticas a parte, os prazeres, os sonhos e o duro cotidiano continuarão a dar as cartas.


O que não é possível mesmo é prosseguir com esse clima, de Deus e o diabo na terra do sol, que nem mesmo o próprio Glauber Rocha imaginaria! O país é maior e melhor que sua classe política gente, que neste momento (especialmente), não pode ser referência para ninguém. Contudo, e embora a coisa não pareça nem um pouco tranquila ou favorável, tenha certeza: a tempestade política vai passar e o país sobreviverá (ainda que aos trancos e barrancos). De qualquer modo, saia dessa crise com civilidade social, com bom humor e, sobretudo, fazendo bem a sua parte para tornar este país melhor. Agora, quanto aos políticos amigo leitor, não tenha dúvidas. Só Jesus Cristo salva!


Jornal O Dia 24/04/2016

*Professora -Bibliotecária - Escritora - Pós-Graduação em Literatura, Estudos Culturais e outras Linguagens - UESPI