Colégio "Glaucia Costa" - 26 anos batendo forte no coração da cidade
 
 
 
  


Águas de março

Foi um início de manhã especial, após uma noite intensa, mas calma de chuva o dia amanheceu encharcado, com cara de noite, com árvores molhadas nas calçadas, com plantas e flores nos canteiros, como que a agradecer aos céus pelo banho refrescante da chuva. Puxa, inacreditável! E quase, ninguém conseguiu sair da cama. Nossa! Um dia assim, no meio norte do Brasil é para ser celebrado, pois quem vive sob a linha do Equador, com uma temperatura que chega a quarenta graus, nos últimos meses do ano, sequer acredita nesse clima com céu de nuvens escuras e tantos dias nublados e chuvosos.


E olha que por aqui caro leitor, ninguém percebeu que o verão já foi embora e o outono já chegou, mas os abençoados com o calor intenso do meio norte do país nem se incomodam por não conhecer a cara dessa estação.


O certo mesmo, (e não importa a estação), é que as chuvas são muito bem vindas e providenciais a todas as regiões do Estado, do Nordeste brasileiro e de todo o país. Principalmente, em tempos de crise hídrica (olha o nome chique que o Sudeste maravilha adotou para se referir à seca na região), que impõe ao Estado e a população brasileira severas mudanças no consumo de água e ações imediatas para por fim ao desperdício do produto em todos os setores.


A região Sudeste prova agora de um drama já bastante conhecido dos nordestinos, pois para conviver com a situação constante de seca (sim, porque aqui é seca mesmo), várias ações são adotadas para minimizar o impacto da falta d’água como, por exemplo, o uso de cisternas em diversas regiões, que são utilizadas como reservatórios de água para a população. E se há alguma culpa pela chamada crise hídrica, no Sudeste, é sem dúvida da falta de ações de sucessivos governos da região, nas últimas décadas, pois agora se sabe que especialistas do setor hídrico já alertavam governos há anos sobre a grave escassez de água que a região mais desenvolvida do país poderia sofrer e que só agora, se tornou clara para a população.


Assim, se a consciência em torno da manutenção dos recursos naturais já era indispensável, agora ela se tornou imprescindível. Na verdade, é fundamental que o Estado brasileiro e a sociedade se mobilizem para o uso adequado e limitado de um recurso finito para o homem. Não dá mais para “tapar o sol com a peneira” se as ações não forem pontuais, a tal crise pode se aprofundar e a falta de água poderá se tornar uma rotina na vida de brasileiros que jamais pensaram em enfrentar esse problema.


Mas, para felicidade geral da Nação, os céus estão atendendo a todas as preces e a chuva vem inundando reservatórios, bem como a alma do povo nordestino, de alegria e contentamento pela terra molhada. E aquela turma, que possui albinismo, por aqui também festeja em dobro a trégua do rei sol, porque apesar dos transtornos causados pelas chuvas em muitas cidades, nada como um dia chuvoso atrás do outro. “É pau, é pedra, é o fim do caminho/é um resto de toco, é um pouco sozinho/É um caco de vidro, é a vida, é o sol/É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol (...) São as águas de março fechando o verão/É a promessa de vida no meu coração”.


LILI CAVALCANTI
(PSEUDÔNIMO DE ANGELY COSTA CRUZ – ESCRITORA – PROFESSORA E BIBLIOTECÁRIA DO COLÉGIO “GLÁUCIA COSTA”
PUBLICADO EM: 27/03/2015 – JORNAL MEIO NORTE (Teresina/ PI)