Colégio "Glaucia Costa" - 26 anos batendo forte no coração da cidade
 
 
 
  


Cartas, ciganas e a redação do ENEM

Ainda surpreende e incomoda o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), que apontou o alarmante número de 529.347 estudantes que zeraram a prova de redação do concurso. Mais de quinhentos mil alunos, portanto, caro leitor, não consegueram elaborar ideias, argumentar e enquadrar-se nos critérios da prova. Não é só lamentável, é completamente inaceitável que estudantes cheguem a esta prova com tamanho despreparo para a produção textual, O fato denuncia inicialmente, a fragilidade do ensino no país de modo geral, pois a prática da produção textual ainda não ganhou importância suficiente no conjunto das atividades escolares, com metodologias alternativas, uma rotina de trabalho eficaz e o exercício efetivo da leitura.


Entretanto, sabe-se que a escola ou a organização de sua metodologia não é o único fator que interfere no desenvolvimento de competências para a leitura ou a escrita. Na verdade, o esforço individual é que vai determinar o sucesso do educando, na escola pública ou privada, e não importam as dificuldades que se apresentem. Por isso, não se entende a surpresa dos candidatos diante do tema da redação, afinal como disse a aluna Lívia Armentano Sargi, nota 1.000 na redação do ENEM, “Para quem lê, nenhuma proposta de redação é surpreendente.” Assim, para aqueles que disseram não esperar tal tema, um aviso: o que se quer na redação do ENEM é justamente quebrar as expectativas dos concorrentes, para testar a capacidade de argumentação, articulação e discussão sobre qualquer que seja o tema.


É para isto que, objetivamente os estudantes devem se preparar. E preparação exige esforço, não dá para fazer de conta, ou se entrega de cabeça ao estudo, à leitura e à escrita, ou a vaca vai mesmo para o brejo. Se a prática da leitura e da escrita não ocupar lugar de destaque na vida dos estudantes, resultados como este do ENEM persistirão. A competência para estas habilidades somente se desenvolve praticando, é lendo e escrevendo que o cérebro se exercita. Da mesma forma que se exercita o corpo na academia, o cérebro também exige provocação e exercício diário para funcionar bem.


E em tempos de internet, redes sociais e whatsapp essa ideia precisa ficar mais clara ainda, pois de modo geral a sociedade e principalmente os jovens, fazem uso abusivo dessas ferramentas de comunicação virtual e se limitam á pobreza de repertório verbal e a prática errônea da escrita. Tal realidade interfere negativamente, na preparação dos estudantes; tem que se pôr na cabeça que é necessário dedicar mais horas ao estudo e ao exercício de leitura e escrita, porque é importante para o ENEM e para você, sua vida, seu futuro, sua carreira. Então, caro leitor, não adianta o sujeito recorrer a ciganas, ou cartomantes, daquelas que acertam tudo (só não trazem a mulher amada em três dias), para enfim descobrir seu destino. O que interessa aos estudantes e a seu futuro neste caso é a prática constante da produção textual, a leitura de diversos gêneros textuais, de diversas linguagens e códigos. Ler é essencial para construir ideias e ampliar o repertório cultural.


E um bom leitor não terá dificuldades com a escrita, muito pelo contrário, escrever deixará de ser um peso, se tornará um prazer e aos poucos fluirá de forma natural e articulada. Por isso, caro leitor, não são as cartas, nem as ciganas que dirão sobre seu futuro, apesar do sucesso que fazem suas previsões. Na verdade, é você, suas ações e atitudes que determinarão a condução de seu destino. Não se deixe levar pelo conto (ou pelas cartas) da cigana. “A cigana leu o meu destino / Eu sonhei / Bola de cristal / Jogo de búzios, cartomante / E eu sempre perguntei / O que será o amanhã / Como vai ser o meu destino?...”


LILI CAVALCANTI
(PSEUDÔNIMO DE ANGELY COSTA CRUZ – ESCRITORA – PROFESSORA E BIBLIOTECÁRIA DO COLÉGIO “GLÁUCIA COSTA”
PUBLICADO EM: 26/01/2015 – JORNAL MEIO NORTE (Teresina/ PI)